Preconceito
Olá,
Estava acompanhando o caso da brasileira que foi atacada na Suíça. Verdade ou não, o caso abriu espaço para um fato grave: os brasileiros sofrem preconceito no velho Continente. Seríamos os únicos?
Pra mim é muito difícil responder tal questão, pelo menos aqui na Bélgica. O país é repleto de imigrantes, principalmente Turcos, Marroquinos e Congoleses, os últimos pelo fato de terem sido colônia belga. Se tiverem preconceito contra estrangeiros, acho que as pessoas aqui acabam não vivendo. Depois que li esta reportagem no Terra, resolvi escrever aqui sobre o assunto.
O artigo utiliza a agressão sofrida pela advogada brasileira (e ainda não devidamente comprovada) para levantar o problema. Isso me faz refletir sobre algo que nunca havia cogitado questionar: vale mesmo a pena viver fora do Brasil? A vida no primeiro mundo é mesmo o que pensamos ser? Pra mim a resposta é: depende! Depende da pessoa, do que e de quem ela deixa pra trás, dos seus valores, do que ela espera, enfim, de muita coisa. Ou seja, isso não significa que todos aqueles que saírem do país serão felizes para sempre. Claro que a vida no primeiro mundo pode ser uma maravilha, mas também pode ser um inferno. Claro que as coisas funcionam melhor que no Brasil, mas afinal gente é gente em todo lugar!Uma amiga que mora no Canadá me enviou um e-mail relatando que nunca imaginou que fosse tão roubada quanto agora, morando em um país com uma das melhores qualidades de vida do mundo. Uma colega de trabalho me disse que em Bruxelas é comum as pessoas arrombarem vidros de carros para roubarem bolsas, laptops e outros bens. Por um momento imaginei estar ouvindo um relato ocorrido em São Paulo ou no Rio, onde a criminalidade é muito mais conhecida. O ruim é que normalmente as pessoas colocam a culpa nos imigrantes, principalmente de países do leste Europeu, da África ou de outros países em desenvolvimento, e não nos habitantes locais. Quando f
alam em roubos de automóveis aqui por exemplo, normalmente se fala que irão abastecer o mercado negro em países do leste Europeu como Polônia ou República Tcheca, que fazem parte da União Européia e onde existe o princípio de livre circulação de pessoas e mercadorias (a partir do Tratado Schengen). Por que? Claro que existe um pouco de verdade nisso tudo, mas não se pode generalizar.
alam em roubos de automóveis aqui por exemplo, normalmente se fala que irão abastecer o mercado negro em países do leste Europeu como Polônia ou República Tcheca, que fazem parte da União Européia e onde existe o princípio de livre circulação de pessoas e mercadorias (a partir do Tratado Schengen). Por que? Claro que existe um pouco de verdade nisso tudo, mas não se pode generalizar.O interessante do artigo é que, segundo o mesmo, são os países que mais pregam os direitos humanos e a "liberdade, igualdade e fraternidade" (no caso França e Suíça) são também onde este tipo de incidente ocorre com maior frequência. Lembro que quando estava em Genebra li nas notícias que duas pessoas haviam sido mortas nos primeiros dias do ano na cidade, uma delas à queima roupa. Parece paradoxal, mas essas coisas acontecem também no primeiro mundo. Tudo bem, com uma frequência muito menor que poderia acontecer no Brasil por exemplo, mas sim, acontecem. Não ia falar isso aqui, mas só pra exemplificar: há uns 3 meses, quando estava chegando na aula de francês, fui atacado por um homem dentro do prédio do curso, que teoricamente seria seguro. Não me perguntem o porquê dele ter me atacado, mas graças a Deus nada aconteceu comigo. Narrei o fato ao diretor da escola, mas o que ele poderia fazer? Ficou por isso mesmo.
Outra coisa que vale a pena citar é que, pelo menos no meu caso, deixamos o comforto da nossa casa, onde m
oramos com segurança, frequentamos bons restaurantes, andamos de carro, pra vir pra um lugar totalmente desconhecido e viver uma vida um pouco menos comfortável, andar de ônibus e trem, economizar grana. No exterior vive-se uma vida menos desigual claro, mas em um nível um pouco abaixo do que estamos acostumados a viver no Brasil e nem todos estão prontos a abrir mão de tais privilégios.
oramos com segurança, frequentamos bons restaurantes, andamos de carro, pra vir pra um lugar totalmente desconhecido e viver uma vida um pouco menos comfortável, andar de ônibus e trem, economizar grana. No exterior vive-se uma vida menos desigual claro, mas em um nível um pouco abaixo do que estamos acostumados a viver no Brasil e nem todos estão prontos a abrir mão de tais privilégios.Eu particularmente nunca sofri (ou pelo menos não percebi ter sofrido) nenhum preconceito pelo fato de ser brasileiro, mas é triste saber que em pleno século 21, onde se fala em globalização e consequentemente liberdade de expressão, religião, opção sexual, dentre outros, ainda haja espaço para tal assunto nas manchetes dos jornais.
Agora é parar pra pensar... claro que existirão opiniões divergentes, mas fica a pergunta: vale a pena largar tudo no Brasil, nossa terra natal, perto da família e dos amigos, para começar a vida em um país de primeiro mundo, muitas vezes sozinho, onde corremos o risco de sermos tratados como estranhos?
Beijos,
David Muniz
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