Crise, onde?
Olá,Depois de tantos dias sem postar, acho que nada mais apropriado que falar do que está acontecendo nos mercados financeiros mundiais. Não, não se preocupem: não vou dar uma de economista, com inúmeras análises baseadas em modelos matemáticos. Eu estou começando a
duvidar desses modelos na verdade, apesar que sim, eles são baseados em previsões, claro. Vale lembrar que minhas conclusões podem ser erradas, mas são puramente empíricas. O problema é que previsões podem se tornar em grandes furadas se você decidir segui-las somente e cegamente. Acho que esse é um dos motivos que não invisto em mercados de ações: sim, você pode ganhar milhares de um dia pro outro, mas também pode perder milhar
duvidar desses modelos na verdade, apesar que sim, eles são baseados em previsões, claro. Vale lembrar que minhas conclusões podem ser erradas, mas são puramente empíricas. O problema é que previsões podem se tornar em grandes furadas se você decidir segui-las somente e cegamente. Acho que esse é um dos motivos que não invisto em mercados de ações: sim, você pode ganhar milhares de um dia pro outro, mas também pode perder milhares enquanto vai ao banheiro no intervalo das notícias de economia. E definitivamente eu não tenho raça pra agüentar essa montanha-russa (ou seria trem-fantasma?).
Há dias vimos escutando sobre o que é real e o que é pura especulação nos mercados mundiais. Bom, como já disse, não sou economista, mas não acho que faça sentido uma moeda como o real se desvalorizar 7, 8, 10 por cento em um único dia em face ao dólar. O que eu tenho certeza é que tem muita gente tentando ganhar dinheiro não só em tempos de bonança, mas agora, em tempos de crise. E não satisfeitos em ganhar o suficiente, manipulam as regras do jogo pra ganhar ainda mais.
Estou lendo um livro chamado “The Smartest Guys in the Room”, escrito por dois repórteres da revista Fortune: Bethany Mclean e Peter Elkind; e que conta a história da Enron: desde a sua fundação até o escândalo que resultou na sua declaração de concordata, no início de 2001, passando pela maneira fantástica como conseguiu atrair a atenção de Wall Street. Lembram dela? Durante algum tempo foi considerada uma das maiores inovadoras no mercado corporativa americano e no final foi a maior falência de uma empresa nos Estados Unidos, deixando milhares sem as suas economias de uma vinda inteira. Mais uma vez, apesar de ser tida como um investimento seguro (poucos meses antes de pedir concordata, era classificada como BBB pelas principais agências de classificação de risco). Aliás, vemos algo parecido agora: o AIG e o Washington Mutual eram classificados como portos seguros pelas agências de classificação, antes de caírem como que do topo dos edifícios que abrigam suas sedes. Neste caso, o erro não foi somente das agências: as empresas de hipoteca juntaram, em um mesmo balde, água barrenta e da fonte e venderam como água mineral, utilizand
o fundos de investimento bastante criativos para juntar ativos bons e podres e repassarem como ativos seguros. E venderam a história para as agências, que pelo visto, compraram-na facilmente. Bom, o buraco é bem mais fundo e eu não sou a melhor pessoa pra explorá-lo!
o fundos de investimento bastante criativos para juntar ativos bons e podres e repassarem como ativos seguros. E venderam a história para as agências, que pelo visto, compraram-na facilmente. Bom, o buraco é bem mais fundo e eu não sou a melhor pessoa pra explorá-lo!No capítulo do livro em que estou lendo agora, os autores narram como os traders conseguiram manipular o preço da energia elétrica na Califórnia durante o ano 2000. Na época eu estava em San Diego e vivenciei alguns blecautes por lá, com todos preocupados com o preço da energia elétrica (coincidência ou não, no Brasil houve o "apagão" na mesma época, lembram?). Essa grande oscilação de preços somente foi possível com a desregulação do mercado de energia elétrica, um projeto piloto na Califórnia, mas que obviamente não deu certo por causa da ganância de poucos. Em suma, os traders conseguiam manipular os preços da energia elétrica simplesmente utilizando rotas de transmissão que não comportavam a quantidade de energia que eles haviam comprado, fazendo com que as linhas de transmissão não suportassem o fluxo e os supridores tivessem que recorrer a outros distribuidores para suprir a demanda, fazendo com que a procura por energia aumentasse e consequentemente os preços subisses. Ou utilizando transações bastante complexas para leigos como nós, do tipo comprando energia e repassando a uma geradora fora do estado para depois, com a redução da oferta, vendê-la de volta a um preço muito maior e consequentemente obtendo lucros consideráveis.
Como no caso da energia na Califórnia, agora eu posso sentir o cheiro de especulação nesta oscilação das últimas semanas, com alguns poucos tentando embolsar lucros. Bom, claro que eu
posso estar errado, mas é o que aparenta ser (pelo menos esse é o cheiro). Creio que a intervenção do Estado aí é muito bem-vinda claro, mas seguida de regulação. Depois dessa crise, o termo “livre mercado” com certeza será revisto e a presença dos governos e de regulação nos mercados vai ser maior. Pode ser que não seja bem-vinda a princípio pelos especuladores, mas acho que se a ajuda dos pacotes é aceita, um bom conjunto de regras pra controlar gente inconseqüente também será!
posso estar errado, mas é o que aparenta ser (pelo menos esse é o cheiro). Creio que a intervenção do Estado aí é muito bem-vinda claro, mas seguida de regulação. Depois dessa crise, o termo “livre mercado” com certeza será revisto e a presença dos governos e de regulação nos mercados vai ser maior. Pode ser que não seja bem-vinda a princípio pelos especuladores, mas acho que se a ajuda dos pacotes é aceita, um bom conjunto de regras pra controlar gente inconseqüente também será!Em breve creio que conseguiremos saber o quanto desta crise foi especulação ou risco real. No final, se deu bem quem deixou seu dinheiro na poupança (como eu, rs).
Beijos,
David Muniz
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